Silaroid
Após mais uma grandiosa incursão no mundo da cozinha! Garanto que não fiquei pior que a minha condescendente esposa.
Ela dificilmente repetirá o mesmo erro.
Não percebo.
Não há compreensão possível para todo o pessoal que vem servir situações da ralação relação conjugal cá prò repasto blogosférico.
É que não se percebe mesmo!
Se eu também o fizesse, reparem no que teriam que ler:
- Então, dormiste bem?
- Sim, hoje dormi muito bem.
- Bem me parecia, até ressonaste! Mas foi um ressonar diferente, engraçado...
- Engraçado?
- Sim. Parecia mais que estavas a rezar uma missa em hebraico. Fazias uns ruídos assim: "Muhnmnum, fah, mnhum! Fah!! Mnum!! MunhMUM!!!...". Foi muito engraçado.
- ... Em hebraico?!
- Sim, parecia isso. Não percebi patavina.
- Hum... Já percebi. Estive a ler algo sobre a Cabala.
- Ah!
Do acesso ao emprego
Esta semana, foi-me recusado o acesso a uma vaga por ter experiência e conhecimentos a mais.
... ?
Há quem diga 1
Que esta coisa dos conhecimentos virtuais nunca funcionam no real. As pessoas teimam em inventar uma personagem que, porventura, será sempre melhor do que elas próprias. Ou então não, o contrário é mais apetecível e, no pior, criam o monstro.
Há quem goste de descobrir tudo sobre a verdade do indivíduo - e neste meio temos mesmo de tudo.
Desde os lascivos aos exorbitantemente pudorentos. Desde os altivos e arrogantes, aos humildes e irritantes. Dos génios aos pobres. Dos carentes aos ausentes. Com máscara, sem máscara - ou sem muita, pelo menos.
Confesso que considero tal temática, um subtil mais ou menos.
Tal como no mais comum dos escritores, cada obra será um eterno esforço de superação ao autor. A criação, tal como Pessoa dissertava, será sempre uma cópia imperfeita do pensávamos fazer.
«(...) Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. (...)»
E dissertou muito bem.
Nestas coisas cibernéticas, estamos a lidar com uma interacção consecutiva. Uma atenção que, muitas vezes, não permite uma perfeição na construção da personagem e na sua dramatização.
Há sempre um deslize. Sempre uma forma de descobrir-mos pedacinhos do seu Eu mais recôndito. E pode ser bom ou mau.
A descoberta da verdadeira índole poderia ser uma discussão interessante, mas eu, como em muitas outras coisas, gosto é dos entremeios.
E o que é que será mais interessante que o caminho que se percorre para o cúmulo?
Qual será o caminho certo, perante uma encruzilhada, para chegar à descoberta?
Muitas vezes, a experiência destas viagens torna-se o mais próximo que temos da perfeição; daquilo que define o ser humano.
E isto sim é interessante e delicioso. Conhecer. Estudar, aprender e assimilar. É neste trilho que acabo por conhecer os agrados que me alimentam.
Escrever, sim, escrever muito. Conhecer muitos, sejam como forem. Olhar e meditar sobre o porquê e o como.
A nossa vida é um derradeiro work in progress, e tem sempre um fim inevitável.
Para quê, em algumas coisas, querer chegar ao fim?
Será isso realmente interessante?
Será que é mesmo importante?
Poesia Informática 2
Hoje Corro (como, onde, quando) {
Preparo sol, coragem, cascos e alforges;
Se (o dia for claro) {
Desperto quando[cedo];
} Ou {
Delicio-me (“nos lençóis de algodão já pouco frescos, mas bem-vindos”, quando[é de manhã]);
}
Se (me apetecer) {
Retorno ao mundo;
}
Se (me abrirem os olhos) {
Talvez leia o jornal = deste novo dia();
} Ou {
Não;
Apenas retorno ao confortável plano de não querer saber;
}
Para (cada uma das tarefas que me aguardam; onde faço café; e completo a rotina que me arrefece) {
Assim;
Todos os dias++;
}
E volto a dormir, aparentemente feliz();
}
// Algo estará errado.
// Nem percebo ‘como’.