Não queria ter aberto aquela mensagem, nem ter visualizado o anexo. Não tinha a mínima intenção de ver aquela barbaridade.
Agora peço absolvição. Peço a mim, aos meus princípios e condeno o meu livre arbítrio.
Entre dentes, ressoaram três blasfemos "Meu Deus...", enquanto as mãos apertaram o estômago, o peito - Mesmo assim não consegui apertar a Alma, que estava dorida, muda, gritante no seu vácuo espiritual.
Apetecia-me chorar. Amaldiçoado seja eu, que devia ter-me deixado fazê-lo. Amaldiçoado seja, pois amaldiçoei e desejei morte àqueles que impunemente e em directo para um registo magnético, fizeram da vida, do último fio de humanidade daquele torturado rapaz, esvair-se em sangue por artérias, veias, osso e carne, divididos por um espaço outrora inexistente.
Animalesco, cruel, desumano... Irrefutavelmente execrável.
Amaldiçoado seja eu, eles e todos nós, pela parca evolução que nos envenena.»